Por: Eli Vieira Xavier

Nos idos de 1.970, sob o jugo do regime militar capitaneado pelo General Médici, o grande slogan era “Brasil, ame-o ou deixe-o”, ao que eu invoco que todos pensem nisto de novo, só que de maneira contrária, pois, se você é um dos políticos destes que andam por aí, ou se é um cidadão que nada faz por sua pátria, então eu diria: faça algo para modificar este estado de coisas e modifique-se, pois, se assim não for, estará demonstrando que não o ama e deveria deixa-lo.

Enojante, repugnoso, asqueroso e espúrias as formas como se resolvem problemas neste país. Se há um movimento para redução do preço do óleo diesel, com bloqueio de estradas e desabastecimento geral, seja em postos de gasolina, de hospitais e de toda a cadeia necessária à sobrevivência social, assim como da manutenção do Estado, vêm nossos governantes, como um grande “Sassá Mutema” conceder, como se fosse um anjo salvador, um desconto de R$ 0,46 no preços do óleo diesel que nunca chegará a ser aplicado nas bombas.

A benevolente subvenção não sairá do sangue de um corte na própria carne deste combalido corporativismo político, onde, em 2.017 os custos com senadores e deputados já ultrapassavam R$ 1 bilhão por ano, isto sem se dizer dos tantos bilhões que se gasta tantas outras benesses e maracutaias que vicejam na podre corja de nossos políticos.

Como pode o Brasil estar cortando investimentos na área da saúde, educação, segurança, subsídios à exportação, oneração de folha de pagamento, bolsa professores, combate ao tráfico, aumento de tributos e por aí afora, com a singela desculpa de que os R$ 0,46 do abatimento do preço do diesel tem que ser reposta por outra receita.

Como pode o Brasil, desculpem, não o Brasil, mas seus governantes, estar a cortar na carne do povo, enquanto paga de bonzinho internacionalmente. Prova disto é a Lei nº 13.669, publicada no DOU do dia 01/06/2018, portanto na efervescência de tudo que está acontecendo, estar a fazer doação do dinheiro público a entidades sediadas no exterior. Não acreditam? Veja o art. 1º da Lei:
Art. 1º Fica a União autorizada a doar recursos ao Estado da Palestina para a restauração da Basílica da Natividade, na cidade de Belém, Estado da Palestina, no valor de até R$ 792.000,00 (setecentos e noventa e dois mil reais).

Alguns vão dizer: É merreca. Sim merreca, mas que ajudaria a restaurar tantos outros bens públicos aqui do Brasil. Cito o exemplo para demonstrar o descompasso entre nossas necessidades e o que se faz com o dinheiro público. Não vou nem adentrar aos empréstimos do BNDES para obras em países com queda para a esquerda ou com queda, quem sabe?, para se fazer um pacotaço de propinoduto.

Mas, é pena que não sejam somente nossos governantes que nos entristece. Nosso próprio povo nos dá prova de sua incapacidade de combater este estado de coisas. Vai faltar gasolina! Correm para pagar preços aviltados, até mesmo aqueles que nunca tiram seus carros da garagem, e nem deles precisam para sobreviver. Vai ter desabastecimento! Correm aos supermercados e compram coisas que não precisam e, de fato, provocam o desabastecimento.

Os donos de postos de gasolina se aproveitam e colocam os preços dos combustíveis na estratosfera. Isto quando não vendem combustível adulterado. É o eterno “levar vantagem em tudo”. E o povo? Ora o povo olha para seu próprio umbigo, reclama nas esquinas, bravejam, dizem-se revoltados, mas, o que fazem? NADA! Apenas usam as dificuldades em proveito próprio e não se irmanam em uma briga de todos, onde, por certo, poderiam provocar modificações e deixarem de serem motivos de vergonha, pois não é o “O BRASIL QUE NOS ENVERGONHA, MAS SEUS POLÍTICOS E O POVO SIM”.

Eli Vieira Xavier, Despachante Aduaneiro Certificado OEA.
Diretor da Lenivam Serviços de Comércio Exterior Ltda.
Santos, 04 de junho de 2018